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Origami – A séculos dobrando papel

Origami

Todos nós sabemos, de alguma forma, dobrar um pedaço de papel. Lembro da minha infância quando brincava de soldado, onde tinha que fazer o chapéu para representar o mesmo.

Origami com estilo

Origami – Uma filosofia de vida.

Assim também eram os barquinhos de papel. E qual o garoto que nunca tentou dobrar uma pipa, arraia ou periquito…dependendo da região de como é chamado. Era uma época muito boa… (Risos)

Assim diziam o meu pai, avô, bisavô e para lá de tantos da minha geração. As festas comemorativas… o balão junino… entre outras.

O que reparamos, é que dobrar papel é muito divertido e já faz um bom tempo que essa prática é falada. Com um pouquinho de paciência e criatividade você consegui fazer muitas coisas dobrando papel.

Pesquisando a fundo sobre isso, percebi que o famoso Origami se destaca nas primeiras camadas das respostas, quando eu pergunto: Qual a arte mais antiga com dobras de papel?

O Origami é uma arte secular de origem japonesa, que consiste em dobrar o papel sem o uso de tesoura ou cola para obter diferentes formas geométricas, sendo muito comum a representação de animais, muitos dos quais poderiam ser consideradas como esculturas de papel.

Em específico, essa técnica tem o objetivo de transformar papel em formas de tamanhos diferentes, iniciando-se de uma base quadrada ou retangular, o que também pode variar a partir de um simples modelo para um mais complexo.

Se fecharmos mais ainda essa definição, o Origami abraça todos os aspectos ambientais que vivemos, como a fauna e a flora de todos continentes, a vida urbana, ferramentas da nossa vida diária, animais mitológicos… inúmeras figuras.

Origami - Dobrar Papel

Origami – Dobrar Papel

A sua origem, como disse, vem das palavras japonesas “ori” (derivação do desenho de uma mão – significa dobrar) e “kami” (derivação do desenho de uma seda – significa papel – também significa espírito e Deus). Sendo que após a rendaku o kami se tornou Gami (折り紙 – Origami).

De uma forma bem resumida vou explicar as transições dessa extensíssima arte que é o Origami:

A relação do Origami com a palavra papel tem uma peculiaridade o quanto. Para isso, vamos voltar ao ano 105 A.C., quando T’Sai Lun, o administrador do palácio do imperador chinês, começou a misturar cascas de árvores, redes de pesca e panos, para substituir a aprimorada seda que se utilizava para escrever.

Contudo, o império chinês manteve em segredo sobre essa técnica de fabricar papel. E isso foi guardado durante séculos. Mas no mais preciso século VI, os monges budistas chineses fizeram o favor de intermediar esse segredo, que por sua vez chegou ao Japão. Sendo que séculos depois os árabes obtiveram o segredo. “Então, meu jovem, veja bem a quem você vai contar seus segredos”. (Risos).

Por volta do século XII, a Europa já sabia sobre o segredo e dois séculos mais tarde, todos os reinos cristãos.

No quesito aspecto, o papel não tinha uma certa qualidade, como os dos japoneses e chineses, que desde o início já era possível dobrá-lo. Na Europa, por exemplo, o papel era grotesco, grosso e além disso era frágil. Nem pensaria em dobrar. “Imagina?

A partir dessa passagem histórica, vamos entrar no mundo Origami com certos períodos:

Origami - Xinto - Caminho dos deuses.

Origami – Xinto – Caminho dos deuses.

  • Período Heian (794 – 1185) o papel com um valor especificamente não generoso e nem tão pouco acessível, era comprado apenas pelas altas classes, onde o Origami, era um divertimento.

O Xinto (Caminho dos Deuses – eram cerimônias religiosas) introduziu certos modelos do Origami. Assim como nos casamentos, o copo de saquê que serviam para celebrar os casamentos, era dobrado em papel com borboletas, macho e fêmea, representando o noivo e a noiva e simbolizando a união.

Os guerreiros Samurai trocavam, entre si, presentes enfeitados com “noshi”, pedaços de papel dobrados em leque, de várias formas, seguros com faixas de carne seca.

Os mestres das cerimónias de chá recebiam diplomas dobrados de forma especial. Depois de os diplomas abertos estes não podiam voltar à sua forma inicial sem se realizarem outras dobras no papel.

Hoje em dia ainda se utiliza a expressão “Origami Tsuki” que significa “certificado” ou “garantia”, que funcionam como um selo de qualidade, conferindo autenticidade aos documentos de valor.

  • Período Muromachi (1338 – 1576) o papel já não era mais inacessível assim. Então, o Origami passou a ser utilizado para distinguir as diversas classes sociais, conforme os adereços que as pessoas usavam.
  • Período Tokugawa (1603 – 1867) surgi então, a “democratização” do Origami. Assim foram os primeiros livros de Origami, onde o escritor Sembazuru Orikata, em 1797, escreveu o primeiro livro com instruções do Origami.

Por outras passagens, o Origami era também praticado pelos muçulmanos. Foram eles que levaram essa arte para a Espanha. Sendo que o uso das dobras do papel era para estudos matemáticos e astronômicos, já que proibiam a criação de figuras, devido as controvérsias com os princípios Islão.

Origami - Paredes dentro do Palácio Alhambra.

Origami – Paredes dentro do Palácio Alhambra.

Já os árabes foram mais a fundo. Investigaram diversos formas e propriedades de dobra de um quadrado e estudando também, como usar as diversas forma para cobrir a parede de Alhambra (com tesselações). Pois esses avançados conhecimentos foram usados na Trigonometria, com o objetivo de mapear as estrelas.

E quando os árabes foram expulsos da Península Ibérica, pela inquisição, os espanhóis desenvolveram o Origami, chamando de “Papiroflexia”.

Com o avançado das técnicas, o japonês Akira Yoshizawa, tornou-se o pai do Origami moderno. Pois com o Sistema Yoshizwa (Randlett, 1956), fez a contribuição mais importante para o Origami, desde a invenção do papel, no que permite a difusão internacional de diversas criações, tendo em seu conceito, o Origami como uma filosofia de vida.

Um símbolo muito conhecido mundialmente é o “Tsuru” que significa boa sorte, felicidade e saúde.

Devido a representação de um pássaro, antigamente, ele era utilizado como enfeite nos quartos das crianças com o objetivo de distraí-las. E um pouco mais tarde, nos templos, ele foi anexo às orações e oferecidos para pedir proteção.

Hoje em dia, o Tsuru é utilizado nas festas de Ano Novo, casamentos… festas comemorativas, nascimentos… entre outras coisas. São enfeites de embalagens de presente. “Bem característico”.

E assim, como pessoas de todo o mundo, dedicam-se ao Origami, de diversas formas. Tanto no desenvolvimento de figuras cada vez mais complexas, como no estudo matemático das várias dobras. Pois japoneses utilizam, atualmente, esta forma de arte em projetos espaciais.

E como de costume veja exemplos de Origami:

Então!

Expliquei um pouco sobre essa arte, que tem um conceito muito complexo, porque não se resumi apenas nisso. Existe diversas teorias e explicações. A Matemática que o diga. Pois deixo aqui essa apostila do que estou dizendo.

Mas pelo menos você já sabe algo sobre o Origami. (Risos)

Muito obrigado e espero que tenha gostado.

Valeu!?

Um abraço. Sempre!                                                                                                                                       

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Oriundo de Salvador-Ba. Amante da arte, tecnologia e design. Autor do Blog 3Dmalz.com e do canal 3dmalz no Youtube, onde compartilha e aprende muito com os visitantes, amigos e seguidores. "Nada é impossível desde quando você tente mudar e persevere". Essa é a sua humilde frase que usa de inspiração para atingir seus objetivos.

5 thoughts on “Origami – A séculos dobrando papel”

  1. Marcos Ferrão comenta:

    Muito Agnaldo X Oliveira, por ter curtido o post. Um forte abraço. Sempre!

  2. Anônimo comenta:

    Show de bola! Adorei.
    Parabéns! Marcos. Continue assim, trazendo informações.

    1. Marcos Ferrão comenta:

      Obrigado meu jovem!
      Um forte abraço! Sempre!

  3. Marcos Ferrão comenta:

    Muito obrigado Letícia Farias, por curtir o post. Um abraço. Sempre!

  4. Marcos Ferrão comenta:

    Valeu Júlio Carvalho! Obrigado amigão!

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